08 setembro 2006

ADEMIR da Guia

Nome: Ademir da Guia
Apelido: Divino Mestre
Nome Completo: Ademir da Guia
Nascimento / Falecimento: 3 abril 1942 / vivo
Posição: meio-campo
Seleção: brasileira
Participação em Copas: 1 (Alemanha, 1974)
Início / Fim da carreira: 1962 / 1984




HISTÓRIA

Nem Pelé usaria tão bem aquela camisa 10 verde quanto Ademir da Guia. E aqui não cabe discussão. Adeptos incondicionais da controvérsia, os torcedores do Palmeiras só são capazes de ser unânimes em duas coisas na vida: no ódio ao Corinthians e no amor a Ademir da Guia. Tamanha reverência poderia ser explicada pela longevidade (16 anos de Parque Antártica) ou pela quantidade de títulos oficiais (12 conquistas –incluindo cinco Paulistas e dois Brasileiros). Mas o talento de Ademir vai além das simples estatísticas.

Foi nos campinhos de terra batida de Bangu - subúrbio carioca onde nasceu - que Ademir teve seus primeiros contatos com a bola. Naqueles primeiros anos da década de 50, o garoto ainda não era reconhecido pelo sobrenome ilustre, afinal, seus colegas de pelada - assim como ele - não haviam visto o grande mestre Domingos da Guia encantar os brasileiros com suas roubadas de bola, e tão puco sabiam que seu tio, Ladislau da Guia, foi o maior artilheiro da história do Bangu, com 215 gols. Nem por isso, o pequeno Ademir não tinha nenhuma regalia. Mas, mesmo assim, ele diz que era considerado um dos melhores. "Naqueles jogos, dois garotos escolhiam o time. E eu era sempre o primeiro a ser chamado".

Com a mesma esperança que move milhares de garotos brasileiros, seu colega Durval chamou-o para participar de um treino no Bangu. É claro que Ademir aceitou, mas até conseguir as chuteiras levou um tempo. Para sua sorte, o técnico do infantil, Moacir Bueno, tinha sido companheiro de Domingos da Guia nos tempos de Bangu. Por isso ou pelo seu talento, Ademir conseguiu uma vaga no time da categoria.

Em 1957 e 58, o principiante disputou o campeonato infantil e conquistou o 3º e 2º lugar, respectivamente. No ano seguinte, ele passaria para o juvenil. Ele lembra que naquela época o campeonato carioca juvenil tinha muito espaço na mídia e era sempre conquistado por Vasco, Fluminense, Flamengo e Botafogo. Mas, para surpresa geral, naquele ano o Bangu conquistou o torneio e, como gratificação, a diretoria decidiu integrar quatro juvenis ao elenco profissional que iria disputar um torneio em Nova York: Zé Maria, Helinho, Durval e, é claro, Ademir. Depois disso, ele não saiu mais do time profissional.

Assinou seu primeiro contrato em agosto de 1961, três dias antes do aniversário do clube. Um presente e tanto. Ele parecia lento com suas passadas largas, mas o ritmo da equipe estava sempre acelerado. Em meio à Era Pelé, só o Palmeiras de Ademir conseguia beliscar títulos. Foi assim em 1963 e 1966. Quando o Santos perdeu fôlego, o Palmeiras se tornou o melhor time do Brasil.

Apesar de ser ídolo no Palmeiras, Da Guia teve poucas participações na seleção brasileira. Sua primeira chance apareceu apenas em 1965. Sob o comando de Vicente Feola, Da Guia foi titular da seleção em três partidas amistosas (vitórias de 5 a 1 sobre a Bélgica e 2 a 1 sobre a Alemanha e empate em 0 a 0 contra a Argentina).

No quarto jogo, foi substituído por Feola aos 20min do primeiro tempo, quando o Brasil já vencia a Argélia por 3 a 0 (definitivamente, eram outros tempos). Em seu lugar, entrou Gérson, o preferido da imprensa esportiva do Rio de Janeiro, à época muito influente junto a CBD (que comandava a seleção brasileira). Da Guia não seria convocado novamente para a seleção até 1974, ou seja, nove anos depois.

Na Copa de 74, apesar de estar no auge de sua forma física e técnica, mesmo aos 33 anos, não ficou nem no banco de reservas em todas as partidas -exceto na disputa do terceiro lugar contra a Polônia. Conta o livro que, no dia da partida, os jogadores almoçavam na concentração da seleção. Ademir da Guia, já conformado com sua ausência no time, repetia a sobremesa quando foi avisado por um auxiliar de Zagallo (o técnico da seleção à época) de que jogaria a partida à tarde, poucas horas depois.

Mesmo sem atuar por cerca de dois meses (tempo da preparação da seleção e dos dias de Copa já decorridos), Da Guia foi um dos melhores da seleção no jogo. Inexplicavelmente, foi substituído logo no início do segundo tempo. Questionado pela imprensa, revoltada com a derrota, Zagallo alegou que Da Guia pedira para sair. Elegantemente, o jogador confirmou a versão-falsa. Mais tarde, receberia uma mensagem do preparador físico Admildo Chirol, em que Zagallo mandava agradecer por ele não ter criticado sua substituição.

"Não sou frustrado por não ter tido muitas chances na seleção. O futebol me deu muitas alegrias, é meu ganha-pão até hoje. A ausência na seleção, na verdade, fez com que eu me aprimorasse mais, a cada dia. Não adiantava nada eu reclamar ou criar polêmica. Sempre pensei que jogador de futebol não pode ficar irritado porque está na reserva ou não foi para a seleção. Tem é de trabalhar, mais e mais, para se superar e, se a vaga surgir, ele estar pronto".

Não ficou rico, mas teve o reconhecimento da torcida do Palmeiras. É um dos raros jogadores a ganhar estátua no Parque Antártica.



FRASES

"Sem Ademir da Guia o Palmeiras é menos Palmeiras" - Treinador Rubens Minelli ainda nos anos 60.

"A gente brincava de 'bobinho' nos treinos e tentava fazer o Ademir ir para o meio. Todo mundo tocava para ele com efeito, mas não tinha jeito. Do jeito que a bola viesse ele dominava. Eu não me lembro de uma única vez em que o Ademir tenha ido para o meio da roda." - Leivinha, ex-jogador, jogou com Ademir no Palmeiras e foi à Copa de 1974.

"O preço que vocês pagaram não é o que vale só uma das pernas dele!" - Freitas Solich, técnico do Flamengo, em 1961, dirigindo-se a um dos diretores do Palmeiras, que acabara de comprar Ademir da Guia do Bangu.

"Ele está jogando demais. É para o Palmeiras o que o Pelé é para o Santos. Quem ganhou do Fluminense não foi o Palmeiras, foi o Ademir da Guia". - Zagallo, em 1971, sobre a derrota do Fluminense para o Palmeiras na Copa Libertadores daquele ano.



POEMA

Ademir da Guia
(João Cabral de Melo Neto)

Ademir impõe com seu jogoo ritmo do chumbo (e o peso),da lesma, da câmara lenta,do homem dentro do pesadelo.

Ritmo líquido se infiltrandono adversário, grosso, de dentro,impondo-lhe o que ele deseja,mandando nele, apodrecendo-o.

Ritmo morno, de andar na areia,de água doente de alagados,entorpecendo e então atandoo mais irrequieto adversário.



MÚSICA

O Filho do Divino
(Arnaud Rodrigues)

Obrigado Domingos
Pois que deste ao mundo
Um filho Divino
Dez de ouro de lei
Do quilate mais fino
E assim quis o destino
Que as passadas do pai
O filho fosse o seguidor
Na passada sublime
Seus cabelos de fogo
São fios de vime
Ele é filho do mestre
Do mostro de um time
Que o mundo define
Como um criador
Dos verdes campos mundiais
Entre urros e gritos
Humilde rei
E seu nome entre os mitos
Eu cantarei
Força nos pulmões
Vibrem corações
Torçam com os passes
Deste Mágico Divino
Igual ao pai
Porque hoje é domingo
Ele faz o que fez
Em mil outros domingos
Ele pisa na grama
E ela fica sorrindo
E um gol explodindo
Obrigado Domingos
Por nos dar um novo Guia.



CLUBES

- Bangu (1959/19961);
- Palmeiras (1962/1977).



PRINCIPAIS FATOS

- Campeonato Paulista: 1963, 1966, 1972, 1973, 1974 e 1976;
- Torneio Rio - São Paulo: 1965;
- Copa do Brasil: 1967;
- Campeonato Brasileiro: 1972 e 1974;
- Torneio de Guadalajara: 1963;
- Torneio do centenário do Rio de Janeiro: 1965;
- Copa Roberto Gomes Pedrosa (São Paulo): 1967 e 1969;
- Troféu Ramon de Carranza: 1969, 1974 e 1975;
- Copa da Prata: 1969;
- Torneio Laudo Natel: 1972;
- Torneio de Mar del Plata: 1972;
- Torneio de Saragoza: 1972;
- Bola de prata brasileira (Placar): 1972;
- Homenagem da Sociedade Esportiva Palmeiras, ganhando um busto na sede do clube (1986);
- Título de Cidadão Paulistano, outorgado pela Câmara dos Vereadores da cidade de São Paulo-SP (2004);
- Poema “Ademir da Guia”, de João Cabral de Melo Neto;
- Música-homenagem composta por Arnaud Rodrigues e gravada por Moacyr Franco;
- 901 jogos pelo Palmeiras (recordista do clube);
- 153 gols pelo Palmeiras (3° maior goleador do clube);
- 12 jogos pela Seleção.



LINKS

- Site Oficial de Ademir da Guia;
- Vídeos do Ademir da Guia.

4 Comentários:

Anonymous José said...

Parabéns pela iniciativa, realmente o Ademir é imcomparável.

JE

*Você poderia colocar o nosso link, pois sua página é um resumo da nossa: "Divino"

novembro 22, 2006 11:01 PM  
Blogger Blog do Sylvão said...

ADEMIR DA GUIA
AGRADEÇO A DEUS POR TE-LO VISTO JOGAR.NÃO PRECISO VER MAIS NADA NO FUTEBOL.NADA SERÁ IGUAL A ELE.

janeiro 21, 2010 12:09 AM  
Blogger rui said...

Ademir da Guia foi, não um gênio, mas esteve acima da genialidade junto com Pelé,Di Stefano,Zizinho,Leônidas,etc.Foi o tipo de jogador que só o Brasil e a Argentina podem produzir."Foi o Palmeiras" durante toda sua carreira
Sou são Paulino,mas amante do futebol arte.coisa que ele sabia fazer com sobra.Graças a Deus esse cara jogou por aqui.Parabéna Ademir pelo seu futebol gigante.

outubro 20, 2010 10:18 PM  
Anonymous Anônimo said...

Ademir foi tão genial que conseguiu driblar com classe incomparável as indelicadezas que cometeram com ele ao não deixa-lo ser campeão do mundo pela seleção.

janeiro 11, 2011 11:05 PM  

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